Susana Ribeiro com recordes pessoais e de época em Espanha

Susana Ribeiro alcançou a melhor classificação de sempre de uma portuguesa no Ribeira Sacra Patrimonio de la Humanidad Ladies Open, num evento em que efetuou a melhor volta da sua carreira profissional, em que igualou o seu recorde pessoal de superar três cuts numa mesma temporada do Ladies European Tour Access Series (LETAS) e em que alcançou a sua melhor prestação de 2018 nesta segunda divisão europeia.

A tricampeã nacional foi uma das nove jogadoras que terminaram o torneio espanhol no 28.º lugar, com 212 pancadas, 2 acima do Par do Augas Santas Balneario & Golf Resort, em Lugo.

Susana Ribeiro passou o cut do evento de 35 mil euros em prémios monetários com voltas de 71 e 66 pancadas, que deixaram-na no 11.º lugar final. 

Ora como já tinha passado o cut no Terre Blanche Ladies Open, logo no primeiro torneio da época, e na semana anterior, no Belfius Ladies Open, isto significa que igualou os três cuts passados na temporada de 2016, enquanto em 2017 só conseguiu fazê-lo por duas vezes.

Para mais, as 66 pancadas do segundo dia, 4 abaixo do Par, foram o segundo melhor cartão de toda a segunda volta e passam a ser um recorde pessoal, a sua melhor volta de sempre num torneio profissional.

«Sem dúvida. O meu melhor resultado de sempre em competições tinha sido outro 66, no Morgado Golf Course, no Campeonato Nacional de Clubes em 2015 (quando ainda era amadora), sendo que o Morgado é um Par 73», referiu Susana Ribeiro à Tee Times Golf.

Note-se que aquela volta de 66 como amadora foi de 7 abaixo do Par, portanto, ainda melhor do que este 66 (-4), mas o nível do golfe profissional europeu é muito superior ao do golfe amador nacional.

Mas apesar deste 66 ficar para a história da sua carreira, Susana Ribeiro valoriza também o 71 (+1) do primeiro dia: «No primeiro dia considero que, depois de ter começado com 1 duplo-bogey, o resultado foi positivo, pois tive de manter a calma e de pensar que ainda havia muitos buracos para jogar».

Bem dito e melhor feito, com 3 birdies e apenas mais 1 bogey até ao final dessa volta inaugural.

Ao partir para a última ronda a apenas 1 pancada do top-10, a profissional do Skip Golfe visava um feito, mas acabou por viver um pequeno pesadelo, de 6 bogeys e apenas 1 birdie, para um cartão de 75 pancadas, 5 acima do Par, que a atirou para o 28.º lugar final.

«Estava confiante para a última volta, mas não consegui converter putts, a pressão começou a aumentar e tornou as coisas mais complicadas. Nos últimos três buracos falhei 3 putts pequenos que custaram-me 2 bogeys e deram-me um sabor amargo a uma semana positiva», avaliou.

Susana Ribeiro tem razão em salientar que «faltou um bocadinho para atingir os top-10» nos últimos dois torneios. Já na Bélgica tinha andado perto de lutar pelo título e terminou em 42.ª, enquanto em França, no início do ano foi 31.ª.

Mas, por outro lado, «há aspetos positivos a retirar» e um deles é o 28.º posto, a sua melhor classificação em 2018 no LETAS e também a melhor de uma portuguesa neste Ribeira Sacra Patrimonio de la Humanidad Ladies Open.

Esta foi a sua terceira participação seguida e tinha sido 35.ª (+5) em 2016 e 38.ª (+7) em 2017. Mas antes dela, Joana de Sá Pereira falhara o cut em 2015, tal como Mónia Bernardo em 2014 e 2013, e Sofia Câmara em 2013.

E como pode ver-se, foi não só a melhor classificação como o melhor resultado de sempre de uma portuguesa na prova, de 2 pancadas acima do Par, o que mostra bem da dificuldade do campo, apesar da sueca Johanna Gustavsson ter ganho este ano com sensacionais 16 abaixo do Par (64+64+66).

«É um campo bastante estratégico, com greens pequenos e bem protegidos. A primeira volta na minha opinião é a mais difícil pois do 1 ao 4 qualquer erro pode custar algumas pancadas. Em relação ao ano passado, o campo estava mais pesado, com os fairways e roughs mais altos, mas penso que poderá dever-se à chuva que tem caído nas últimas semanas», analisou a jogadora de 27 anos.

Susana Ribeiro embolsou 413,26 euros e subiu do 119.º lugar para o 96.º na Ordem de Mérito do LETAS. Importante entrar no top-100, mas muito longe do top-5 que no final da época ascende à primeira divisão europeia, o Ladies European Tour (LET).

O Ribeira Sacra Patrimonio de la Humanidad Ladies Open integrou simultaneamente o LETAS e o Circuito Premium da Gambito Golf, por outras palavras, um dos circuitos profissionais espanhóis onde Susana Ribeiro já brilhou (no seu caso, no Santander Golf Tour, exclusivamente feminino).

Como o LETAS já só tem mais quatro torneios até ao final da temporada, poderá a tricampeã nacional interessar-se de novo pelo circuito espanhol, depois deste razoável 28.º lugar em Lugo? 

«O Santander Golf Tour de 2018 foi lançado há duas semanas. Ainda não decidi de que forma vou enquadrá-lo no resto da minha época. Nos dois primeiros torneios em julho não deverei jogar, porque tenho a qualificação do British Open e já venho de uma série de torneios seguidos. Depois, em agosto, tenho mais dois eventos do LETAS. Penso que poderei jogar alguns torneios espanhóis em setembro e outubro», refletiu, até porque «é um circuito que gosto muito de jogar. É competitivo e tem a grande vantagem de ser no país vizinho, o que facilita bastante ao nível das viagens».

 

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